terça-feira, 29 de junho de 2010

certeza

Quando te olho por aquela fresta, se arrumando para o mundo como se todo dia fosse festa, só uma certeza resta. É que não adianta rima besta, não importa se é quinta ou sexta; o que quer que aconteça. Não há nada melhor do que mergulhar assim, de cabeça, se você sabe que lá embaixo está a mais linda das correntezas, que te leva sem erro para a terra das maiores belezas. E quem sabe lá não tenha um cantinho com areia, para eu te lembrar sempre o que sente aquele que abastece minhas veias...

Obrigado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

voo


Aqui em cima é tranquilo, quieto. Eu só sinto o vento e a falta de teto. Vem aqui para um pouco de tato. Esse, com você, nunca é demais. Que falta que me faz... Não olha pra trás, nem pra baixo. O que importa é o eixo do nosso encaixe. E não se preocupa coom o balão... Quem flutua não é ele. Me dá a sua mão.

terça-feira, 21 de abril de 2009

pintor

Foi de surpresa, na agitada madrugada de sábado para domingo, que o certo deve ser chamar de madrugada de domingo, que ele percebeu a luz vermelha envolvendo a face direita dela. Blasfemou sua ignorância total em artes plásticas. Não conseguia pensar em qual pintor queria ser - de preferência algum que manjasse muito de luzes e sombras - para reproduzir delicadamente os contornos, o entorno, e com traços flutuantes eternizar aqueles cabelos que desciam sobre a face esquerda. Foi mesmo uma pena.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

a bela Junie

Estavam todos ali. O primeiro, o ingênuo, o carente, o de fachada, o por competição, o proibido, o escondido, o que na realidade não passa de desejo egoísta, o platônico, o possessivo. Faltou apenas o verdadeiro, respeitoso, debatido, cuidado. Mas não foi problema, porque esse sobra do lado de cá da tela.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

faz tempo

quando eu era corsário
as coisas tinham cheiro de vela de aniversário
a vida não tinha ensaio
e eu gostava mesmo era da chuva quando caía raio
corria, mas não para querer ser atleta
também não era um pateta
só não sabia ainda como era bom brincar de ser poeta

terça-feira, 28 de outubro de 2008

daily show



Sensacional. A bronca de Jon Stewart com Palin comprando roupas em Nova York é que, segundo ela diz na campanha, a "América real" está nas pequenas cidades. "Nossa, Bin Laden deve estar se sentindo um idiota", disse ele outro dia. Impagável.

Parece que o embebed da Comedy Central é temperamental, então aí vai o link: http://www.thedailyshow.com/video/index.jhtml?videoId=189136&title=project-beltway&byDate=true

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

força bruta

Um homem vestido como executivo cansado corre. Tromba nos outros, que não dão pela presença dele. O ritmo acelera, e obstáculos voam contra o homem, que os atravessa sem pensar muito, porque, se o fizer, cai. Em seguida uma revoada de papéis como os comprovantes de cartão de crédito que se acumulam na minha gaveta da direita. Toma um tiro. Momentos depois, levanta-se e repete tudo, com a única diferença de fazer uma breve e conturbada pausa para o almoço. Estamos nos matando.

Um momento de sonho, com ninfas dançando e andando pela parede, serve como breve descanso. Mas o ritmo alucinado logo volta, e o que eles estão aqui para nos mostrar é que, se não festejarmos um poucos, se não nos jogarmos na água, se não fecharmos os olhos, se não nos apalparmos (com todo o respeito e consentimento, epa!) seremos engolidos pela força bruta do tempo. Uma das coisas que ainda não podemos manipular, nem nunca poderemos. Grande causa de ansiedade para nós, jovens que ainda lembramos do tempo em que os irmãos se revezavam para trocar os canais, porque implicava levantar do sofá, mas nos acostumamos alegremente a controlar tudo com o controle remoto, a programar nossos jornais (e agora televisões) pela internet.

Até 9 de novembro no Parque Villa Lobos